Artigo publicado pelo jornal O Tempo, no dia 28/04.
Duas nações importantes, Brasil e Estados Unidos têm mantido ao longo dos anos uma relação estreita. O país do presidente Barack Obama foi o primeiro a estabelecer uma embaixada em Brasília, o que aconteceu em 1960. Hoje o Brasil se tornou o oitavo maior parceiro comercial dos EUA, tendo gerado, em 2011, um dos poucos superávits comerciais obtidos por aquele país com o resto do mundo. As importações dos EUA ultrapassaram a soma dos U$ 33 bilhões no ano passado, enquanto as vendas brasileiras para o mercado norte-americano ficaram em cerca de U$ 25 bilhões, deixando um saldo positivo aproximado de U$ 8 bilhões para a terra do Tio Sam.
Neste contexto, há que se destacar a posição de Minas Gerais. O segundo estado mais populoso da federação, com a terceira principal economia, realizou negócios substanciais com os Estados Unidos em 2011. Durante o ano, o mercado norte-americano foi o terceiro principal destino dos produtos mineiros, ficando atrás apenas da China e do Japão. Em relação às importações, os Estados Unidos foram o parceiro número um de Minas Gerais.
Mas a relação entre os dois povos vai além do comércio. O índice migratório Minas-EUA sempre foi altíssimo. A cidade de Governador Valadares, localizada no Vale do Rio Doce, sempre exportou mão de obra para a nação norte-americana. Hoje a economia brasileira se fortaleceu e o perfil do emigrante mudou, mas o número de mineiros que viajam para aquele país continua alto. Atualmente, eles vão para estudar, fechar negócios ou simplesmente a turismo. Por isso, há que se destacar a recente notícia da instalação de um consulado americano em Belo Horizonte.
Como ex-imigrante, entendo a importância da criação desse posto consular em nosso Estado. Sinto-me orgulhoso por ter feito parte do processo que resultou no sucesso de tal pleito, juntamente com outros membros da política mineira. No fim do ano passado, entregamos um documento à presidente Dilma Rousseff, à Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton e ao presidente Barack Obama contendo assinaturas de todos os representantes mineiros do poder legislativo. No apoiamento, constavam os nomes de 77 deputados estaduais, 53 federais e três senadores. Todos se posicionaram a favor do projeto. Hoje, vejo que o esforço conjunto foi recompensado.
Os mineiros que quiserem tirar o visto norte-americano não precisarão mais viajar até as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife ou Brasília. Tudo será resolvido em Belo Horizonte, havendo assim economia de tempo e dinheiro. O consulado também irá fomentar o comércio bilateral, gerando divisas para os dois lados. Ainda sem data oficial para começar a funcionar, o espaço de representação diplomática deverá estar aberto ao público local até o fim de 2013. O que parecia impossível e distante, se tornou realidade. Consulado norte-americano em Minas: uma conquista dos mineiros.
Jayro Lessa – DEM
Deputado Estadual
3º Secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais